Coletando a Medula

Depois de falarmos sobre os tipos de Transplante de Medula Óssea, vamos falar agora de cada etapa desse tratamento.

Como as células da minha medula óssea permaneceram saudáveis, dessa forma, eu pude fazer o transplante autólogo. Logo, tive que passar pelo procedimento da ‘coleta de medula’. E, como eu já disse, anteriormente, a medula óssea pode ser coletada por punções cirúrgicas ou por Leucoaférese (ver post).

Leucoaférese nada mais é do que o procedimento feito por uma máquina capaz de captar as células da medula óssea (células tronco), que estão circulando pela corrente sanguínea. Ou seja, para que isso aconteça, o paciente recebe uma medicação capaz de estimular a produção das células da medula óssea, assim, quanto mais células sendo produzidas, maior será seu nível na corrente sanguínea.

Resumindo, o meu intuito não é fazer um artigo científico sobre coleta de medula, mas é deixar este conhecimento mais claro e acessível para todos. Então, vamos por etapas:

Antes do dia da coleta, é necessário tomar alguns medicamentos para estimular a produção de células. No meu caso, eu tomei 7 dias uma medicação que era aplicada na barriga (igual aquelas picadinhas de insulina para quem tem diabetes), e um dia antes da coleta, tomei outro medicamento mais forte.

Com as células prontas e em níveis esperados para a coleta, é preciso colocar um cateter especial para sermos ‘conectados’ à máquina. Não é um cateter muito lindo de se ver, mas ele é fundamental para que a coleta aconteça em um bom fluxo de sangue e sem lesionar as ‘células poderosas’.

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(O cateter tem duas pontas, uma para a saída do sangue, outra para a entrada)

Bom, os hiperativos são os que mais sofrem a partir do início da coleta, pois o procedimento todo dura em torno de 5 horas; 5 horas sem levantar, 5 horas sem ir ao banheiro (apenas com a ajuda da comadre), 5 horas podendo sentir sintomas como frio, dormência e formigamento nas mãos e pés. 

coleta medula

Depois de 5 horas, a máquina é desligada e o resultado é uma bolsa cheia de células tronco! Entretanto, para confirmar se a quantidade necessária para o transplante foi atingida, é feita uma coleta para contagem das mesmas. E, assim, a ‘bolsa mais valiosa do mundo’ é armazenada  em um tanque de nitrogênio líquido! Totalmente preservada!

Lindo, não é?!

Enquanto muitas pessoas almejam bolsas douradas e bem desenhadas da Louis Vuitton, Chanel, etc; enquanto elas acham que o ‘ter’ as preenchem, nós aprendemos que o verdadeiro valor não é o design, o emblema, a marca, o nome, mas sim o conteúdo. O conteúdo é o que, verdadeiramente, revela o valor; o valor de salvar vidas!

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Uma resposta em “Coletando a Medula

  1. Pingback: Diário de um Transplante: Dias 8,9 | Sonia Niara

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