Diário de um Transplante: Dia 4

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“Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando os dias forem ruins, considere: Deus fez tanto um quanto o outro, para evitar que o homem descubra alguma coisa sobre seu futuro.” Eclesiastes 7.14

Ao me lembrar deste verso dito pelo rei Salomão, tudo o que eu podia ter certeza, naquele dia, era que ele era um dia ruim, ou melhor, uma noite de terror.

Após alguns dias internada, à espera de alguns exames para dar início ao tão esperado transplante, ainda havia uma cirurgia para fazer.  O cateter que eu utilizei para a coleta estava com suspeita de infecção. Então, tive que retirá-lo, e ir para uma nova cirurgia colocar outro para o transplante, e dessa forma, evitar qualquer risco de infecção.

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Até aí tudo bem, são acontecimentos comuns de se ocorrer e procedimentos simples de se fazer.

Simples, se não fosse o fato das minhas veias terem sumido e se escondido das enfermeiras.

Foram mais de 30 minutos gastos, mais de 5 regiões puncionadas. Eu já não aguentava ver o brilho prateado daquelas agulhas. Era mais do que uma picadinha de abelha; o meu corpo já estava mais sensível do que o normal, o estresse potencializou a tensão, o que serviu como uma voz de comando para as veias: “Permaneçam na retaguarda! Se refugiem!”. Em contra partida, a minha mente tentava dominar todas as emoções e gritar mais alto que elas: “Seja forte! Permanece firme!”.

Até que, como uma única gota é capaz de transbordar um copo, como uma única rachadura é capaz de desmoronar uma casa, eu me entreguei ao choro desesperado, ao clamor por Aquele que poderia me socorrer! As enfermeiras faziam o que era possível, com toda paciência. Minha mãe com olhos aflitos, mas orações de intercessão nos lábios.

Eu clamava por seu auxílio, por seu socorro, em um choro que somente Deus poderia descrever:

“Ouve a minha oração, SENHOR! Chegue a ti o meu grito de socorro!” Salmo 102.1

Então, uma outra enfermeira chegou. Sem dizer uma palavra posicionou o meu braço, com os olhos fitos em uma sombra de veia, a domou feito um cavalo selvagem, e lentamente o sangue anunciava que ela estava dominada!

As lágrimas de desespero se transformaram em gratidão, mas somente Deus pode traduzir o que elas diziam.

Mas, ainda havia o segundo round e eu não sabia!

Meu corpo estava determinado em ser resistente naquele dia. Parecia que, de tanto lutar, ele queria resistir a tudo, inclusive ao que seria bom e benéfico para mim. O cirurgião teve um longo trabalho, pois o meu corpo não permitia que o cateter fosse colocado até o fim. E o pior de tudo, era que eu vi a cena de camarote! Totalmente lúcida, e tensa feito um tronco de madeira!

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Horas depois, a paz voltou a reinar, a calmaria veio me visitar. Eu me sentia encharcada, descabelada e elétrica, feito quem acabou de apanhar de um temporal; mas a serenidade de Deus, pouco a pouco me colocava nos eixos e acrescentava fé para ver o quão verdadeiro é o que Ele diz:

” O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30:5b

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Jesus pode não ser palpável ou visível aos olhos, mas Ele é sempre presente!

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2 respostas em “Diário de um Transplante: Dia 4

  1. me emocionei!! parece que senti cada segundinho de agonia descritps no texto!! Muito bom ler suas esperiencias e aaber o quanto Deus te fez forte!! Deus abencoe, continue a anunciar o quanto Ele é bom!

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