Diário de um Transplante: Dia 15

Vamos ter um papo sério hoje?

Ninguém gosta muito de pensar no mal estar causado pela quimioterapia; pior ainda quando esses sintomas são semelhante a um bombardeio atômico em seu interior. Eu nunca experimentara tamanho sofrimento físico. As feridas na boca, as lesões na língua, geravam uma dor que não me deixava esquecer do sensível estado em que meu corpo se encontrava.

A fraqueza era tamanha que eu me sentia gastando todas as minhas energias apenas para conseguir respirar. Os medicamentos me levavam a um sono profundo, mas ao acordar as dores latejavam em meu cérebro. As horas eram embargadas pelas náuseas e contadas juntamente com os vômitos.

Pode parecer uma narrativa sensacionalista e um tanto quanto terrorista, mas quem está do lado de fora de um hospital não imagina as cenas que dentro dele ocorrem. Neste exato momento, eu e você, que estamos do lado de fora, não podemos ouvir os gemidos de desespero, agonia e angústia soados a cada segundo.

Uma coisa eu aprendi, que receber mensagens de algumas pessoas podem ser um tanto quanto animador, e de outras, um desafio maior para não se irritar. Obviamente que, em algumas situações, eu poderia ter sido até injusta, afinal quem pode julgar o coração daquele que está distante e que por muito tempo permaneceu ausente?

Mas uma coisa é certa, até mesmo as mensagens animadores e de pessoas queridas passam a não valer muito quando se está enclausurada em suas agonias. Não digo isso com menosprezo, mas com a certeza de que qualquer ser humano já sentiu isso, e por quê?

Justamente porque o desespero do nosso ser não pode ser retirado pelas mãos das pessoas. Os relacionamentos são uma forma que preenchem apenas o espaço que lhe cabe: a necessidade superficial de afeto e atenção, o fato de se sentir lembrado. Entretanto, nossas necessidades emocionais profundas, quem poderá suprir? Quem pode dizer aos seus ouvidos palavras que penetram e enraízam em seu coração, te fazendo capaz de suportar grandes dores? Que amor pode te sustentar 24 horas por dia?

Minha mãe passou os 27 dias comigo no hospital, sem voltar para casa um dia se quer. Eu amo muito minha mãe e em muitos momentos a sua presença me animava, me estimulava a reagir. Suas orações me cobriam dos pés à cabeça, suas mãos me acalmavam e até me faziam dormir em maior segurança.

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(Setembro, 2014)

Mas, mesmo diante desde amor de mãe, somente o amor perfeito de Deus poderia atingir meu interior, em lugares obscuros da minha mente, em inseguranças profundas do meu coração, em tremores e dores insuportáveis do meu corpo. Somente o amor de Jesus Cristo e a presença do seu Espírito Santo naquele quarto me faziam crer e viver 24 horas por dia, 7 dias por semana, sendo suprida pelo amor de Deus.

“Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?”  Salmo 139.7

“A minha alma descansa somente em Deus; dele vem a minha salvação. Somente ele é a rocha que me salva; ele é a torre segura! Jamais serei abalado!” Salmo 62.1,2

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